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Quem Foi Benjamin Graham? O Guru Da Análise Fundamentalista

Quem Foi Benjamin Graham? O Guru Da Análise Fundamentalista

De 1936 até 1956, ele conseguiu um retorno extraordinário de, pelo menos, 14,7% por ano, contra 12,2% do mercado de ações como um todo.

Segundo Jason Zweig, esse pode ser considerado um dos melhores desempenhos de longo prazo – isso é importante – da história de Wall Street.

Ele foi o mentor de mega-investidores como Walter Schloss, Irvin Kahn e Warren Buffett.

Além disso, tornou-se pioneiro na divulgação da estratégia buy and hold de investimentos em ações.

Sim, o artigo de hoje é sobre Benjamin Graham, um inglês de ascendência judia, autor de um dos maiores livros de investimento já escritos.

Nas palavras do próprio Buffett, depois do próprio pai, Graham foi o homem que mais influenciou sua vida. Em uma entrevista ele disse:

Se eu não tivesse lido esse livro, em 1949, eu teria tido um futuro diferente.

Qualquer pessoa que deseja investir na bolsa de valores de forma inteligente, deve conhecer a filosofia de Benjamin Graham sobre esse fascinante mercado.

Tópicos abordados neste artigo:

  • Princípios do investimento em valor
  • Você conhece o Sr. Mercado?
  • O que é investir?
  • Um alerta sobre a especulação
  • Você é um investidor defensivo ou agressivo?
  • O conceito de margem de segurança

Boa leitura!

Princípios do investimento em valor

A tese central de Benjamin Graham, para quem ainda não conhece, é comprar ações baratas, mal avaliados pelo mercado.

Muitos não sabem, mas antes da publicação de seu livro “Security Analysis”, em 1934, escolher ações dependia mais de poderes sobrenaturais do que de critérios analíticos.

Ele foi o criador de um método ou abordagem que partia da análise dos balanços patrimoniais e dos fluxos de caixa da empresa para saber se uma ação está cara ou barata.

Baseado nesses dados, Graham escolhia as ações mais “castigadas” pelo mercado, aquelas que mais se desvalorizaram (preço) em relação ao valor de seus ativos (e/ou lucros).

Pela sua lógica, ao comprar uma ação com base em seu valor intrínseco, bastaria esperar o preço de mercado convergir para seu valor justo.

Assim, a melhor coisa a se fazer seria montar uma alocação de ativos diversificando entre ações e renda fixa. Tudo para mitigar os riscos de se errar na avaliação ou dos humor do mercado acionário.

Uma de suas grandes preocupações era a necessidade de se evitar perdas e, principalmente, de trabalhar a disciplina emocional do investidor.

Para Graham, “as perdas realmente assombrosas sempre ocorrem depois que o comprador esqueceu de perguntar o preço“.

Há muito verdade nessas palavras.

Você conhece o Sr. Mercado?

Uma das pérolas de Benjamin Graham é tentar explicar a oscilação dos preços na bolsa de valores nos apresentando um tal de “Sr. Mercado”.

Ele é um sujeito que aparece todos os dias na porta do proprietário de uma ação qualquer com uma oferta “tentadora” para ele comprar ou vender suas ações a um preço diferente.

O que o investidor deve considerar é que nem sempre o preço sugerido pelo Sr. Mercado é razoável. Muitas vezes, é incrivelmente ridículo.

Em suma, o Sr. Mercado não está nem aí para o “valor” da ação, sua única preocupação é acordar no dia seguinte e fazer uma nova proposta, dependendo de seu humor.

No final das contas, é o investidor quem decide se irá ignorar o preço ou aceitar a oferta do Sr. Mercado.

O que é investir para Ben Graham?

Não porque eu tenha “superpoderes” como investidor, mas porque eu acredito que investir é, antes de tudo, uma arte que pode ser aprendida.

Enfim, no capítulo 1 do livro “The Intelligente Investor”, Benjamin Graham deixa bem claro as diferenças entre o “investidor” e o “especulador”.

Nesse capítulo, de forma magistral ele consegue definir o termo investir:

Uma operação de investimento é aquela que, após análise profunda, promete a segurança do principal e um retorno adequado. As operações que não atendem a essas condições são especulativas.

Uma das belezas desse conceito é a preocupação com a questão de se preservar o dinheiro conquistado (o principal), equilibrando o riscos de investir em ações com as oportunidades de lucro que elas possibilitam (retorno adequado).

Tão importante quanto essa “consciência” de que o mercado acionário está sujeito a perdas, é estar preparado psicologicamente para quando o Sr. Mercado der um surto e os preços desabarem.

Portanto, por melhor que sejam suas escolhas, uma hora sua carteira sofrerá perdas decorrentes das oscilações normais (e anormais) do mercado.

A questão é o quanto você conseguirá limitar essas perdas naqueles momentos de pessimismo injustificável do mercado.

Para Graham, o investidor inteligente deve ser um “realista”: vender para os otimistas e comprar dos pessimistas.

É fácil ter “sangue de barata” para ver suas ações derretendo nesses momentos e não seguir a manada vendedora? Sim.

Precisa-se ter coragem para comprar ações no mercado de urso? Idem.

Um alerta sobre a especulação

Para não dizer que deturpei as palavras de Graham, quero destacar que ele não “demoniza” a especulação.

Entretanto, ele faz algumas importantes ressalvas:

1. Arriscar mais dinheiro na especulação do que você tem condições de perder não é nada inteligente. É rasgar seu dinheiro.

2. Quer especular? Tudo bem. Porém, separe uma pequena parte do seu capital (numa conta específica) para essa finalidade.

Dessa forma, você consegue sanar sua vontade de especular por meio de um pequeno fundo especulativo, protegendo 95% de seu patrimônio.

Você é um investidor defensivo ou agressivo?

Um detalhe que passa despercebido em muitos artigos que falam sobre os métodos de Benjamin Graham, é que suas recomendações são direcionadas para duas categorias de investidores:

a) Investidor defensivo (ou passivo)

Para esses, a alocação de ativos deve ser feito meio a meio entre renda fica e ações ou uma proporção que varie entre um mínimo de 25% e um máximo de 75% de qualquer um desses ativos (ações ou obrigações).

Uma dica interessante é que o investidor defensivo deve considerar ter a sua parcela de ações através de fundos de investimentos sólidos.

Agora, se ele “teimar” em montar sua carteira de ações, nada melhor do que aplicar o bom e velho “custo médio em dólares” (dollar cost averaging).

b) Investidor agressivo (ou empreendedor)

Esse cara simplesmente tem a audácia de buscar resultados acima da média. Basicamente, Graham não recomenda estas três abordagens especulativas:

  • Negociar o mercado.
  • Seletividade de curto prazo.
  • Seletividade de longo prazo.

Então, o que ele recomenda para o investidor agressivo? Ele aborda pelo menos quatro estratégias específicas:

  • Comprar em mercados de baixa e vender em mercados de alta.
  • Comprar, com cuidado, “growth stocks” – ações de crescimento – cuidadosamente selecionadas.
  • Comprar ações subvalorizadas de diversos tipos.
  • Comprar em “situações especiais”.

Só pela leitura das operações acima, conclui-se que ser um investidor ativo, na verdade, é para poucas pessoas com disposição (e muita fé) para vencer o mercado.

A seguinte afirmação do saudoso mestre deixará bem claro a seriedade de optar-se pela via do investimento empreendedor:

O investidor ativo deve ter um conhecimento considerável de quanto valem os valores mobiliários, suficiente, na verdade, para justificar encarar suas operações de investimento como equivalentes a um negócio empresarial.

O conceito de margem de segurança

Esse tópico é o conceito central da filosofia de investimentos da análise fundamentalista:

Uma verdadeira margem de segurança é aquela que pode ser demonstrada por números, por raciocínio lógico, e por experiência própria.

Para encontrar nossa margem de segurança, o investidor precisa, em primeiro lugar, selecionar uma boa empresa, de preferência de primeira linha, com estas características:

  • A perspectiva geral de longo prazo da companhia.
  • A qualidade da sua administração (ótima gestão).
  • Lucro crescente (média dos 3 anos do começo e dos 3 anos do fim deste período).
  • Estrutura de capital. O ideal é que a dívida de longo prazo seja inferior a 50% do capital social total.
  • Histórico de dividendo e taxa atual.

Depois, fazemos um cálculo matemático do valor intrínseco daquela ação para calcularmos a taxa de crescimento esperada.

A essência da margem de segurança é tornar mais provável sua chance de ganhar do que de perder.

Uma de suas principais dicas é comprar uma empresa por um valor abaixo de 2/3 de seu valor líquido.

Isso significa comprar com ações cujo preço seja inferior ao seu capital circulante líquido, ou seja, que estão valendo menos que seu capital de giro (diferença entre o ativo circulante e o passivo circulante da empresa).

Na sequência, Benjamin Graham buscava ações com baixos índices preço/lucro (P/L), isto é, com “poder de lucro” (outro termo cunhado por ele).

A forma de calcular o poder de lucro é bem simples, como demonstro abaixo:

  1. Ache o lucro da empresa.
  2. Divida pelo seu preço de mercado (basta inverter o cálculo de múltiplo P/L).
  3. Multiplique o resultado por 100 para dar a porcentagem. Ex.: A empresa XYZ tem um P/L de 5, logo, 1 / 5 x = 0,2 (ou 20%).

– “Tiago, mas o que vou fazer com esses dados?“.

E aí que as coisas ficam interessantes meu caro.

Com base nesses dados, você pode fazer uma comparação entre investir na ação pretendida ou, por exemplo, no Tesouro Direto, onde você atualmente encontra títulos com rentabilidade acima de 16% ao ano.

Na prática, o ideal é que o poder de lucro da empresa supere a aplicação no tesouro direto ou outro benchmark como a TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo).

Para finalizar, eu não poderia deixar de citar uma excelente recomendação do autor de “The Intelligent Investor“:

Você nunca estará certo ou errado porquê o mercado discorda de você. Você estará certo se os seus dados e raciocínio estiverem corretos.

É evidente amigos, que o artigo foi apenas um “resumão” dos pensamentos de Benjamin Graham.

O assunto é muito vasto, considerando ainda que outros investidores já ultrapassaram sua abordagem tradicional, como o seu maior discípulo, Warren Buffett, bem como o lendário Philip Fischer, dentre outros que fizeram escola.

Esse artigo pode ser visualizado no link: https://portaleducando.com/o-guru-da-analise-fundamentalista/

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