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Banco Central do Brasil: Um Outro Olhar

Banco Central do Brasil: Um Outro Olhar

Na última semana, uma das promessas de campanha do presidente Jair Bolsonaro saiu do papel: a independência formal do Banco Central do Brasil. Uma vez que o objetivo precípuo da autoridade monetária é o controle dos preços, a independência formal garantiria a perseguição deste objetivo sem que houvesse pressão política. Acredito que é quase consenso os benefícios disto para a economia, não sendo necessário maiores aprofundamentos.

Contudo, outro tema relevante dentro do mesmo assunto e que talvez seja menos debatido é o mandato do Banco Central. A memória recente com relação a inflação fez com que o Banco Central fosse escalado para defender o poder de compra da nossa moeda. Nada mais justo, principalmente com os mais pobres. Mas porque não discutimos a possibilidade do Banco Central do Brasil tem um duplo mandato, assim como o FED?

Imaginemos o cenário econômico atual. Com a liberação dos dados do IBC-Br de Fevereiro (retração de 0,73% na comparação com Janeiro), há quase que unanimidade em apontar um primeiro trimestre muito fraco do ponto de vista de atividade econômica e por conseguinte dados ruins no mercado de trabalho. Com o boletim FOCUS apontando para uma queda no PIB para 2019 e com inflação ainda abaixo da meta, poderíamos pensar e até torcer para uma redução da SELIC. Isto não é o consenso do mercado que aponta na manutenção da taxa de juros de curto prazo da economia nos atuais 6,5%.

No entanto, se o Banco Central tivesse duplo mandato, com uma preocupação além da estabilidade da moeda, por exemplo com o ritmo da atividade econômica, uma queda na taxa de juros seria desejável e recomendável. Além disso, sabendo deste duplo mandato, não pegaria os agentes de surpresa, mantendo as expectativas bem alinhadas.

 

 

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