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O Dilema do Banco Central Brasileiro

O Dilema do Banco Central Brasileiro

O curto mandato de Ilan Goldfajn à frente do Banco Central do Brasil (BCB) é considerado um enorme sucesso. A inflação permanece em patamares bastante baixos e as expectativas muito bem ancoradas indicando um cenário benigno para o novo ocupante do cargo, Roberto Campos Neto.

Em contraste ao céu de brigadeiro que o país vive em termos de inflação encontra-se a letárgica recuperação da economia. Os dados de comércio e indústria, além do IBC-Br do começo de 2019 evidenciam uma lenta recuperação, talvez mais lenta do que o vislumbrado anteriormente. Estes sinais fizeram com que os economistas revisassem para baixo suas expectativas de crescimento econômico para o corrente ano. 

Diante dessa modorrenta atividade econômica, há entre os especialistas quem aposte em reduções na taxa de juros (SELIC) algo impensado no início deste ano.

A redução da taxa de juros básica da economia, reduz o custo do dinheiro, trazendo maior dinamismo para variáveis chaves da demanda agregada, como consumo e investimento. Contudo, pode exercer pressões inflacionárias no médio prazo.

Como sabemos, o objetivo do Banco Central do Brasil é única e exclusivamente o controle da inflação dada a meta estabelecida. Para isso, utiliza-se principalmente da taxa de juros de curto prazo (SELIC).

Assim chegamos ao dilema: reduzir a taxa de juros para tentar reanimar a atividade econômica, mesmo que isso signifique fugir um pouco do seu objetivo precípuo ou manter a política monetária apenas para controlar a inflação e, principalmente ancorar as expectativas?

Por um lado, é notório que a economia vive com uma elevada capacidade ociosa dos fatores produtivos. Isto significa que antes de haver novos investimentos, essa capacidade ociosa deverá ser preenchida significando que não haveria, no curto prazo, pressões inflacionárias de oferta.

Por outro lado, uma redução na taxa de juros pode aumentar as expectativas de elevação da inflação dos agentes econômicos e essas expectativas poderá desencadear um processo de elevações dos preços na economia - o que chamamos de expectativas autorrealizáveis.

Boa sorte ao novo presidente Roberto Campos Neto a taxa de juros se manteve em 6,5% a.a.

 

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