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O "estranho" normal do Banco Central

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A crise financeira de 2008 e a atuação massiva das autoridades (governos e Bancos Centrais) mundo afora possibilitou um "novo" normal na economia: um mundo com disponibilidade de liquidez nunca antes vista na história, com taxas de juros extremamente baixas e inflação controlada; algo muito semelhante à armadilha pela liquidez de John Maynard Keynes.

Neste "novo" normal da história monetária mundial entra o "estranho" normal: o Banco Central do Brasil e seu presidente Roberto Campos Netto.

Desde que assumiu o posto no início de 2019, o presidente da autoridade monetária é sucessivamente questionado do porquê a taxa de juros não cai no Brasil. A cada indicador divulgado, seja de atividade econômica, seja de inflação, há histeria para que o Banco Central abaixe a taxa de juros. 

Não discordo desta posição.

Mas por que então o Banco Central manteve (digo no pretérito porque na próxima reunião abaixará a taxa de juros) inalterada no primeiro semestre do ano enquanto o mundo todo trabalha com taxas de juros reais próximas de zero quando não negativas?

  1. O mandato do Banco Central é controlar a inflação, única e exclusivamente e não promover o crescimento econômico. Mas a inflação está baixa, então há motivos para o corte?
  2. A inflação em 12 meses apenas no último mês esteve dentro da meta de inflação de 4,25%. Logo, pode-se "exigir" cortes a partir de então dado que a missão (inflação dentro da meta) está sendo cumprida e a política monetária expansionista ajudaria a crescer o PIB?
  3. Nem tanto. Segundo estudos, o canal de transmissão da taxa de juros sobre a atividade real demora entre 6 e 9 meses para ter efeito. Um corte nos juros atualmente, teria efeito real no primeiro trimestre em 2020. A política fiscal tem poder mais imediato de ativar a demanda agregada; a política monetária é uma política que auxilia mas tem efeito mais retardado. Portanto, caso haja uma desaceleração mais intensa da economia mundial e dada a situação calamitosa das finanças públicas do país, ainda temos "bala na arma" para promover políticas anticíclicas.

 

Portanto, caso haja uma desaceleração mais intensa da economia mundial e dada a situação calamitosa das finanças públicas do país, ainda temos "bala na arma" para promover políticas anticíclicas.

 

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